sábado, fevereiro 10, 2007

Hipocrisias - parte I

Hoje apetece-me falar sobre hipocrisia. Não, não me apetece, já bem me basta deparar-me com ela todos os dias, mas hoje é sobre ela que escrevo. Sobre um exemplo de hipocrisia, daí 'parte I'. Quando mais houver, de mais escreverei.
Casamento. Não, minha gente, não terei a ousadia de afirmar que o casamento é, por si só, um acto hipócrita. Até porque não o penso. Sim, para mim é um papel que não há necessidade de ser assinado, para outros será algo mais e respeito-o. Talvez eu mesma venha a mudar de ideias.
Casamento na igreja. Sabeis já do que falo? Pois passo a explicar, o casamento na igreja, hoje em dia, é regra, já não se fazem casamentos no civil, melhor dizendo, só no civil. Porquê? Ora, porque é muito mais requintado, muito mais chamativo, muito mais exibicionista. Enfim...c'est trés chic! E é aí mesmo que mora a hipocrisia. Nestes 'católicos não praticantes' que só praticam a religião no dia do casamento. Porque é bonito.
É-se católico porque se acredita em alguma coisa, ou até nem se acredita, mas fica bem. Ou dá jeito para o dia o casamento. Ou como nos casámos pela igreja, é sinal de que somos católicos. Mas praticantes não que dá muito trabalho. No domingo sabe bem ficar na cama e, de qualquer forma, para ir à igreja dormir a ouvir o sermão...não, para isso não. Sou católico não praticante, até está na moda.
Está bem, a festa é bonitinha. Que bom que é ter a família reunida e poder usar um lindo vestido com uma cauda de dois metros ou um belo fato com botão de rosa branco no bolso. Mas é um dia. E é um dia que supostamente devia ser pleno de sinceridade, de sentimento. É de mim, ou a hipocrisia destoa um pouco neste quadro?
Aproveitando a leitura do comentário do Zé, introduzo aqui, ainda dentro do tema, a questão do branco do vestido, de que me esqueci. Eu sei que esta sociedade se rege por fachadas, por aparências. Mas, havemos de convir que, à partida, a humanidade tende a progredir, a evoluir, ou não? Não é que seja sinal de evolução mas 'mudam-se as vontades, mudam-se os gostos' (troca propositada). Se não se aguenta a vontade de pôr a pureza e a castidade de lado, então trocam-se os gostos pela cor, troque-se o branco pelo rosa, pelo salmão, pelo que quiserem. Pelo vermelho, já que há gente a casar pela igreja que já tem um currículo invejável. Perdão, vermelho não. Vermelho é cor de paixão ardente, de pecado. E quem entra numa igreja para consumar um sentimento na presença do Pai, está limpo de pecados. Na presença do Pai que negam e ignoram todos os dias da sua vida.

Ah, e já agora, porque não escrever outro discurso? É que o 'promete amá-la e respeitá-la todos os dias da sua vida, até que a morte os separe' está um pouco demodé, não? Ou então sou eu que não estou a par dos avanços da ciência e, afinal, já se deslindou o fenómeno da ressurreição.

Peço desde já desculpas aos que pretendem casar pela igreja e até nem vão à missa.
Aprendei - é o karma. O meu é este, entre outros : falar, falar e acabar por ter de deixar uma nota aos que pertencem à outra margem, para que não se firam susceptibilidades. Ou talvez deixe de o fazer que no fantástico mundo da internet ainda não consta lápis azul. Vai havendo é alguma falta dele. Mas isso é assunto para outro post.

Pensamento do dia : 'Karma is the way of the universe to settle the score' @ Daniel, Laura, Liliana, Zé.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Inglesation

2.42 h na madrugada de dia 27.
Cheguei hoje da Covilhã. Sim, o Natal foi bom. Não, não houve muitas prendas como de costume. ganho com isso. Não vou dar 'lições de moral' como alguém me disse à pouco. Não vou dizer 'passei um óptimo Natal com aqueles que pouco vejo, infelizmente, e isso chega-me'. Tão pouco que acho fatalmente engraçado que se pergunte 'Então o Natal? Muitas prendinhas?' em vez de 'Entao o Natal? Foi divertido? Muita alegria?' ou apenas...não sei, prendas é que não se faz favor. Mas não falo disso.

Em 3 dias é a quarta ou quinta vez que abro o blogger para postar. Pelo menos escrevo...à partida desta é que é.
Pois bem, venho reclamar. Senti-me 'mal' ao escrever esta afirmação. pouco tempo disseram-me que eu passo a vida a criticar, que é incrível como tenho sempre o que apontar, que não me calo com estas coisas. Não sei se foi dito como apresentação de um defeito se apenas por comentário. Mas surpreendeu-me. Folgo, então, apenas, em saber que , de qualquer maneira, não é aos outros ou às coisas dos outros que aponto, é também a mim e às minhas coisas. Penso que me permite uma maior...'justiça', se assim se pode dizer.

Vamos então?
repararam com certeza que nesta 'quadra' as lojas são todas engalanadas a preceito. repararam também que, além da eventual decoração interior, o verdadeiro 'chamamento' está na montra, essencialmente no vidro, pois é que se encontra o desejo de festas felizes para os consumidores. Confere?
Ora bem, o que se passa é que, se atentarem nas palavras que se encontram nessas mesmas montras, que saltam aos olhos de qualquer um, haveis de reparar que as 'saudações' se encontram escritas de maneira ilegível. Passo a explicar: obviamente as palavras são legíveis, o facto é que não o são neste país...ou não o deveriam ser. Para quem ainda não percebeu, os desejos expressos não se encontram em português.
Claro está que mesmo o mais inculto dos portugueses terá , por um processo de associação, concluído que o afamado 'merry christmas' significa 'feliz natal', pois se são esses os caracteres que ele em todo o lado, alguma coisa como isto quererá dizer..!
Enfim, direís vós 'que exagero, esta rapariga...'. Será, por ventura, mas trata-se apenas de um exemplo de algo que sucede em maior escala e de que muito se começa a ouvir falar. Não sou uma defensora afincada da língua portuguesa, de maneira nenhuma. Eu própria uso estrangeirismos, como jovem levada por estas ondas de gente 'in', não leio tanto como devia, bem sei, o meusentido para a escolha de livros é tão apurado que raramente não me desiludiu. Mas gosto de ouvir falar, aliás, gosto de ouvir falar BEM, muito. Arrisco até dizer que é das poucas coisas de que me orgulho neste país, da língua, perdão, do seu bom uso. E até esse se vai desvanecendo.

Se este país se tornar colónia, ao menos que se torne colónia com dialecto. Mas não torna, descansem, que o português é teimoso...e por mais que de quando em vez deixe escapar o desejo de ser espanhol, o orgulho enche-lhe o peito, a barriga e o resto. Esquecem-se as mágoas com um bom vinho e -se um jogo da selecção nacional, para espreitarmos aquilo que temos de bom...e que deixamos fugir para fora.


Sim, porque até o mais mísero português tem Sport TV.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Feed the world

Duvido que alguém saiba, portanto é a primeira vez que apresento aqui qualquer parte de mim que não vos tenha ainda sido apresentada. Nada de escandaloso, prometo. Tão pouco digno da vossa atenção, atrevo-me a dizer.
A minha humilde pessoa tem um sonho. Ou um entre outros, como preferirem. Correctamente, um em termos profissionais. Esse sonho é o de ser actriz. Não, não cá...lá. Ambicioso? Certamente, daí ser um sonho, de outra forma chamar-lhe-ia apenas 'objectivo'. Bom, até aqui, nada de novo.
A questão é que, a realizar-se, este sonho servirá dois propósitos, sendo um deles, obviamente, a minha concretização pessoal. O outro faz parte também de uma concretização pessoal mas noutro âmbito. Tenho uma sede imensa de ajudar o mundo. Rídiculo, não? Mas é o que quero. Não que os dois estejam ligados mas, partindo do princípio de que o sonho se realiza a minha 'condição financeira' (por assim dizer) torna-se substancialmente diferente. Não que queira enriquecer, longe de mim. Contudo, se for Actriz, assim mesmo, com maiúscula, penso que o facto é inevitável. E conveniente. A verdade é que, a ser ganho, esse dinheiro tornar-se-ia útil na ajuda aos outros. Gostava de integrar essas organizações humanitárias, gostava de pôr mãos à obra na ajuda a África, gostava...
Talvez seja apenas uma mente de criança, a minha, que sonha. Talvez quem lê isto se esteja a rir da minha ingenuidade. Talvez...
Não tenho vergonha de o confessar e vou manter este sonho sempre. Se não ajudar de uma maneira ajudarei de outra. E sim, orgulho-me de sonhar.

Quero seguir as pisadas de outras gentes da arte e não só, que doam um pouco de si a estas causas.
Deixo-vos então com o vídeo de alguns deles, mesmo que outros só se lembrem destas coisas no natal.
Ponham os olhos neles...o mundo em que vivem é muito maior que o vosso umbigo.

quarta-feira, novembro 22, 2006

In repair

Queria dizer-vos algo de inteligente, mas hoje o dia não deu para isso. Amanhã ou depois cá ponho qualquer coisa.
Hoje digo-vos só que pus um penso rápido no coração. Arranharam-no. Mas vai curar depressa, não é caso para alarme. Nem vale a pena chamar o INEM. Aqui para nós que ninguém nos ouve, ele já estava à espera. Eu é que não sabia. Quando o arranharam, parecia que morria, de tanto que se contorcia. Depois é que percebi que não sangrava e, quando olhei melhor, vi que estava protegido. Previu e vestiu uma capa. Estava blindado.
Agora está em reparações. É favor não aproximar demasiado ou, pelo menos, mostrar cartão verde antes de tentar entrar. Ele recupera, mas deixem-no sossegado.

/ John Mayer - In repair

' Too many shadows in my room
Too many hours in this midnight
Too many corners in my mind
So much to do to set my heart right

Oh it's taking so long i could be wrong, i could be ready
Oh but if i take my heart's advice
I should assume it's still unsteady
I am in repair, i am in repair

Stood on the corner for a while
To wait for the wind to blow down on me
Hoping it takes with it my old ways
And brings some brand new look upon me

Oh it's taking so long i could be wrong, i could be ready
Oh but if i take my heart's advice
I should assume it's still unsteady
I am in repair, i am in repair

And now i'm walking in a park
All of the birds they dance below me
Maybe when things turn green again
It will be good to say you know me

Oh it's taking so long i could be wrong, i could be ready
Oh but if i take my heart's advice
I should assume it's still unready
Oh i'm never really ready, i'm never really ready
I'm in repair, i'm not together but i'm getting there
I'm in repair, i'm not together but i'm getting there


E, já agora...partilho convosco que comi lasagna ao jantar...e que me sinto mal...!Tanto bechamel...tanta caloria! Portanto...

/ LiLy Allen - Everything's just wonderful

' Why can't I sleep at night,
Don't say it's gonna be alright,
I wanna be able to eat spaghetti bolognaise,
and not feel bad about it for days and days and days.
In the magazines they talk about weight loss,
If I buy those jeans I can look like Kate Moss,
Oh no it's not the life I chose,
But I guess that's the way that things go '

Exactamente...substituam o 'spaghetti bolognaise' pela lasagna.

Agradecida pelo tempinho.

sábado, novembro 18, 2006

Qualidade dramática nacional

Porque é que os actores nacionais, pelo menos os que se nos apresentam todas as tardes e noites, invariavelmente, não têm qualidade? Perdão! Nas da tarde não! Que esses ainda não são actores!São modelos na escola de actores, assim é que é (e refiro-me aos ... MorangosdoAçucar [ou, como alguém dizia, da erva]).
Ora bem, nesse caso, porque é que os senhores e senhoras da produção nacional não se mostram dignos de que os admiremos? Não quer isto dizer que alguns deles(as) não sejam bons actores,nada disso. Mas, das duas três : ou estão mal aproveitados na produção em que estão inseridos, ou a trama é tão fraca que não lhes permite brilhar, ou o restante elenco é tão fraco que não há hipótese. Afinal, se não os podes vencer, junta-te a eles!
Quanto à primeira hipótese, exemplo não falta. 'Floribella'. Diz-vos qualquer coisa, com certeza, ou não fossemos nós assaltados por esse jardim saltitante a toda a hora. Sim , é muito bonitinho para as crianças, afinal, não deixa de ser um conto de fadas mais sério e realista que os dos livros. O que nos aborrece tremendamente é que passe naquele horário. Isso sim é um caso puro de assassinato de uma carreira artística. Não digo que haja lá grandes actores, mas é facto que , ali, ninguém engrandece a sua carreira. Ficam, no mínimo, ridicularizados.
A segunda hipótese não é menos plausível. Prestem atenção à trama nacional, tem duas vertentes possíveis :
1) a base é sempre a mesma
2) é uma cópia distorcida de uma produção brasileira.
Certo, a base da produção brasileira também é a mesma (ricos vs. pobres, bons vs. maus) mas, reparem que, depois disso, abordam problemas reais e alertam. E, quer queiramos quer não, ensinam. E fazem rir. As personagens cómicas brasileiras FAZEM RIR!As portuguesas, no máximo, deixam-nos com uma parelisia facial que resulta no canto da boca hirto na direcção do olho. São fracas .
Quanto à terceira, nada a dizer. Se é facto que, um jovem inteligente tenta aprender com um actor feito, é também facto que o actor perde em entrar em produções com jovens sem talento, com histórias sem interesse.

Enfim, não gosto. Sim, confesso que às vezes vejos os frutos vermelhos, quando não tenho com que me entreter. E confesso também que quase não deixo a minha irmã ver de tanta crítica.

Desde já o meu pedido de desculpas aos visitantes que visionam os dramas desmedidos e desenxabidos (nunca hei-de saber escrever esta palavra) da casa da criação. Ou não fossem estes passados no nosso mais sensacionalista canal de tv. Aliás, Portugal está cheio de gente dramática. Somos ou não somos por generalização, um povo saudista? Então porquê a falta de talento...porquê?!
É que nem uma lágrima são capazes de verter! Caramba, usem um conta gotas! Gemer e gemer, contorcer a cara até dizer 'corta!' , tudo sem uma réstia de água que abra caminho pela face...isso é que não!

Nota: não sou contra os actores portugueses, sou contra os que se acham actores e corrompem e atacam a 7ª arte neste país.

Cai o pano.

terça-feira, novembro 14, 2006

Vai-se vivendo...

Tenho por norma, sempre que, nesse reecontro com aqueles com quem não falamos há escassas horas ou aqueles que não vimos há tantas como esses mas cujo contacto só conseguimos que seja virtual, me perguntam se estou bem, responder que sim, que 'vou andando'. E vou, não vou mais depressa para tentar não tropeçar. A verdade é que tropeço de qualquer forma e muitas vezes na mesma pedra!E nem as nódoas negras lembram este orgão pulsante de não passar novamente pelo mesmo caminho. Este coração que parece não ter memória de espécie alguma e que teima em se deixar levar por promessas imaginárias céus azuis e nuvens de algodão. Porque o meu coração é ingenuidade, mas uma ingenuidade insultuosa de tão aguda que é! Mas não consigo educá-lo, ele é assim. E tenho pena que hoje já não se sinta o amor como eu o sonho sentir, na sua verdadeira essência. E isso faz-me partilhar convosco um texto que adorei de Miguel Sousa Tavares in Expresso. O nome é 'Elogio ao Amor' que é exactamente o que eu desejo fazer com isto. E não crio eu o meu próprio testemunho porque nunca conseguiria exprimir-me melhor que este Senhor. Assim, fico minhas as suas palavras. Deliciem-se :

' Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas.Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber.Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banançides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?O amor é uma coisa, a vida é outra.O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos.Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. é uma questão de azar.O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina.O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente.O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.O amor é uma coisa, a vida é outra.A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.Não se pode ceder. Não se pode resistir.A vida é uma coisa, o amor é outra.A vida dura a Vida inteira, o amor não.Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também. '



Isto não é um post do contra? É pois! Contra :

- a futilidade e leviandade com que tratam o Amor;

- o uso do Amor como peneira para encobrir a solidão;

- o uso do Amor para o show off, para os outros, para fazer inveja;

- esta geração, rasca, que não respeita nem sabe o que é este sentimento.



E eu? Talvez também não saiba, mas espero por ele. Ansiosamente.

Enquanto isso, vou olhando os outros e...vai-se vivendo.



PS: mais noções sobre isto? Oiçam 'Não invoquem o Amor em vão' de Rui Veloso e Carlos Tê. É deliciosa.



quinta-feira, novembro 09, 2006

Há dias...

Há dias em que...nada faz sentido. Nem é tanto isso, nós é que não lho procuramos.
Há dias em que nada vale a pena. Ou assim parece. Ou é a força que falta.

Hoje o meu corpo flutuou de porto em porto, sem ordem ou comando. Foi, por si mesmo. Hoje, fosse qual fosse o estímulo, eu era-lhe indiferente. Não senti frio nem calor, eu era só um corpo...tépido.
Revolta? Não era, não. Antes fosse. Assim, pelo menos, via sentido neste estado. Hoje eu era um ser apático. Hoje eu não era. E se fui, não fui muito, apenas uma coisa, uma sombra de gente, desmaiada. Não foi desespero. Não foi dúvida existencial. Não foi...nada. Porque não há razão para não me sentir, nem corpo, nem alma. Não era tristeza, porque quando assim é, espicaço-a muito e ela cresce em raiva e aí refugiu-me no meu espaço, no meu mundo. Entupo ouvidos,cérebro, corpo e alma de sons fortes, vibrantes, cheios; e esbracejo e ensaio, entrego-me e solto tudo o que sinto.
Hoje não. Hoje passei à frente toda e qualquer música onde houvesse a menor réstia de alegria, de revolta, de necessidade de extravazar qualquer coisa que nem se percebe bem o que é. Hoje sucumbi a toda a melodia grave e mórbida. E nem a senti.
E quando eu não sinto as duas coisas que compoem a essência de mim...

Hoje as pálpebras deviam ter pesado demais e o meu corpo repousado na imitação perfeita da hibernação.
Mas não, sou do contra. Tive de fingir que vivia.


domingo, novembro 05, 2006

Quero escrever e não sei...


...como. Eu que sou so contra, que penso e repenso qualquer coisinha que seja...não tenho assunto para escrever! Tenho o cérebro oco e por mais que grite ' Ideias! ', só consigo ter o eco como resposta.
Podia falar do filme que fui ver ontem, ' Children of men ' ou ' Os filhos do Homem '. E falo, mas não chega.
O filme é realizado por Alfonso Cuáron, o mexicano que realizou o III filme do Harry Potter. Já tinha ouvido falar bem dele (embora confesse que o III do HP seja o último na minha consideração) , por isso queria mesmo ver este.
Children of men trata ou começa por prever o fim do mundo. A acção passa-se em Londres, mas uma Londres destruída, muito mais cinzenta do que o tom a que estamos habituados em, no mínimo ouvir falar. O mundo viu-se assombrado pela infertilidade das mulheres na sua totalidade (as possíveis origens são variadas, sendo uma delas a poluição). A cidade de Londres é o retrato perfeito do que podemos ver nas notícias sobre o Iraque e afins, mas mais negro, mais sujo. Os emigrantes que chegam ao país sao engaiolados, em praça pública e levados para campos de concentração, num dejá vu perfeito do Holocausto.
Mas, como disse, o filme prevê o fim do mundo. Assim, um dos grupos revoltados de 2027 tem, escondida, uma rapariga negra, grávida. A tarefa de a levar até um barco do intitulado ' Human Project ' (que, como o nome indica, pretende proteger a humanidade), do qual, dado o estado de coisas, se duvida a existência.
A partir daqui, Theo (a personagem interpretada por Clive Owen) passa pelos piores momentos com Kee (a grávida) para a levar até ao barco.

É, sem dúvida, um filme que dá que pensar. Se bem que, na minha opinião, 2027 seja um futuro muito próximo para haver tempo para tantas transformações (isto partindo do princípio que os Coreanos acalmaram mesmo a ideia de se porem a fazer ensaios nucleares).
É bem retratada mesquinhez humana, a falta de solidariedade em termos globais, ou seja, de país para país, e dos seus representantes para com o povo. No entanto, quando, no meio de um tiroteio infernal, os dois protagonistas tentam escapar ilesos e com a criança a salvo, tudo pára e todos admiram e abrem caminho para estes passarem (numa verdadeira re-encarnação do nascimento de Jesus Cristo - não querendo isto dizer que a cena não seja bem concebida, é extramente realista) .

Enfim...aconselho vivamente o filme.
E assim se me acaba o assunto.

Ah! Sabieis que as pensões dos políticos vão subir 6,4 % ? Fico realmente feliz por eles, merecem, têm trabalhado tanto...
Pena é que a minha mãe e outros tantos também mereciam qualquer coisita e só lhe aumentam 2 ou 3 cêntimos no subsídio de refeição.

sábado, outubro 28, 2006

Love all over the world



Afinal ainda há amor neste mundo.

Esta esfera azul e verde onde, hoje em dia, o cinzento vai conquistando cada vez mais espaço, afinal, ainda tem quem zele por ela. Sinceramente, é cada vez mais frequente eu dizer para comigo que este mundo está realmente perdido (infelizmente, penso que não sou a única). Por isso mesmo comoveu-me imenso este vídeo. Direis vós 'ai que lamechas!'...'geez também não é caso para tanto!' , certo, mas também já é dado adquirido de que pouco é preciso para me sensibilizar.

A verdade é que iniciativas destas são de louvar. Parecendo que não, para algumas das pessoas que aderiram e abraçaram realmente o Juan Mann (nome por que se apresenta o senhor do cartaz, se não estou em erro), talvez fosse um abraço o que elas precisassem naquele momento. Continuo a parecer piegas, não é? Mas para mim é isto mesmo. Quantas vezes, por qualquer razão, estamos em baixo ou simplesmente apetece-nos, e precisamos realmente de nos sentir apoiados, acarinhados, mesmo que por um estranho. E quantas vezes falta a coragem para o pedir? Porque não devia ser preciso pedir.

A ironia de tudo isto é que o senhor ainda teve de fazer uma petição, porque as autoridades policiais impediram-no de continuar. E é incrível a adesão das pessoas, que até pegam em cartazes e lhe seguem o exemplo. E que chegam mesmo a tentar abraçar os policias que, por seu lado, têm de manter a postura de incorruptíveis, suponho. Ou então é mesmo insensibilidade.

Enfim depois de ver este video percebi que vale mesmo a pena lutar para reciclar o mundo e as pessoas. É uma coisa pequena, claro...mas como tudo, é assim que começa. E se há quem o comece, é sinal de que há quem o desenvolva.

Esta iniciativa teve lugar na Austrália e se forem a http://www.youtube.com/ e procurarem em 'Free hugs Campaign' encontram videos de pessoas que apoiam e agradecem a iniciativa...e penso que até pessoas que já fizeram algo nos seus países. A música é dos sick puppies porque o líder da banda teve contacto com a campanha e decidiu fazer o video e penso que a música também foi feita com o mesmo propósito pela banda (ou entao foi adaptada).

Estão, então, abertas as inscrições para seguir com o projecto cá no nosso portugalito em http://dizerquenao.blogspot.com ( =D).

Deveis estar a perguntar-vos 'Mas isto agora é só videos? Eu que pensava que este era um blog com conteúdo!', ao que eu respondo 'É realmente isso que pretende ser, mas tinha de partilhar um pouco de carinho convosco.'

Assim me retiro, com um mundo de abraços para todos.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Ora vejam...

Acabei de perder o post e vou ter de reescrevê-lo...(Coragem).




E eu fiquei...estarrecida.
Confesso - mentira porque já toda a gente sabe - que não me acho bonita. Não acho que a minha cara tenha qualquer coisa de especial, não me acho gorda, mas rechoncuda, herdei do meu pai pernas que parecem presuntos e...em suma, só gosto dos meus olhos. E, verdade seja dita, alguns dos meus 'defeitos físicos' devem-se à comparação com o estereotipo que nos é fornecido. Não digo que um filme destes me vá impedir de tentar emagrecer, porque não me sinto bem assim, mas...
Que a maquilhagem faz milagres já todos sabemos, é um dado adquirido à muito tempo. Porém, admito que fiquei surpreendida pelo tamanho do milagre no caso apresentado. Mas, na verdade, foi o photoshop a brisa que fez desmoronar o meu castelo de concepções de beleza. Ainda eu me sinto mal por usar um pouco mais de luz nas fotos para disfarçar as borbulhas (que por vezes não têm mesmo remédio)!
Sigam-me, por favor, neste exemplo, e os homens que me perdoem se lhes derrubo um dos ícones nacionais : Soraia Chaves. Para quem (ainda) não sabe quem é, é a senhora que protagoniza o filme ' O Crime do padre Amaro'. Para quem ainda não viu o filme vão os meus mais sinceros parabéns, dado que só conseguiria dizer ' É mais um filme português...' depois de se submeter a essa experiência. Mas, adiante : Soraia Chaves é uma mulher bonita não é?Aliás bonita é pouco, trata-se de uma tentativa de perfeição...fracassada. Tenho para mim que a Soraia Chaves de perfeito, só as medidas...e upa! (Não é inveja, não)

Anda,então, o mundo inteiro - falso que as gentes de África e afins ainda não têm tempo para ler as revistas cor-de-rosa, andam mais preocupados em sobreviver - digo, meio mundo, a venerar estas 'estrelas', que são cadentes, porque depois de toda esta transformação caem de novo no seu quotidiano de onde nunca deviam ter saído, que nós, mulheres, ficavamos-lhes muito agradecidas.

E ainda dizem que neste mundo não há lavagens ao cérebro.

Já agora, convido-os a visitarem http://campaignforrealbeauty.ca/ onde podem ver o video com mais qualidade e, essencialmente, outro video em que se mostram os testemunhos de algumas jovens bonitas que se sentem excluídas.



Peço desde já desculpa pelo conteúdo fútil do post mas...teve de ser.

sexta-feira, outubro 13, 2006

Podem entrar...


Estou de volta ao blogger. Pensei antes de criar o novo blog porque queria ter a certeza de que seria capaz de o manter, de o actualizar regularmente. Confesso que ainda nao tenho a certeza disso mas vou me esforçar por fazer-lo.
A razao pela qual nao retomo o antigo blog e tao simples quanto isto : passou. Foi uma fase, uma época que já nao existe. As coisas sao diferentes, eu sou diferente, o que e os que me rodeiam também. Vejo as coisas com outros olhos e, portanto, escrevo-as noutro sitio.
Passo agora a explicar o nome: dizerquenao. Porque dizem que sou do contra, que critico tudo e mais alguma coisa, que sou pessimista. Porque critico mesmo muitas coisas, ergo muitas vezes os braços, grito e esperneio e revolto-me e ...tudo. Mas para mim. E nao chega. E, agora, passarei a escrever.

Queria começar com algo positivo, para contrariar, para nao começarem logo a reclamar. Para variar. Mas nao me ocorre nada. Nao é que nao haja coisas positivas para falar, haverá certamente...simplesmente nao me ocorre nada...original. E de repente lembro-me 'a despenalizaçao do aborto!'.Mas nao...já vai haver referendo sobre isso e tudo.
Penso e penso e nao me ocorre nada. Obriguei-me começar a escrever esperançosa de que acabaria por surgir qualquer coisa...

Um dia, um certo brasileiro falou-me da liberdade, de ser livre. Vou ver até se consigo citar as palavras dele....um momento. Está dificil de encontrar...Esquecam...afinal podia ser um bocado deprimente.


Decido entao, por meio de um outro brasileiro, escrever sobre esse grande mito que voa de boca em boca entre os homens, passando de geraçao em geraçao, que se resume à seguinte frase 'Mulher é um ser que não se percebe'.
'As mulheres são muito dificeis de entender' dizia ele, 'Eu vejo por minha mãe...uma hora ela está alegre e no minuto seguinte tá toda stressada'. Não percebo porque é que as mulheres hão-de ser mais dificeis de entender que os homens.
Sinceramente, qual é o mistério? Pensais vós, homens, que escondemos assim tao obscuros segredos, que sofremos de alguma doença apenas feminina que nos confere toda esta dificuldade de compreensão? Ou sereis vós quem vagueia com um véu em frente dos olhos e do cérebro que deforma e vos impede de nos compreender.
Vós não sois difíceis de perceber pois sois directos. Nós somos requintadas. Os homens dizem o que querem, sem mais nem menos, sem cuidado com a forma como o dizem;querendo - dizem. A informação não chega sequer a ser ponderada pelo cérebro, por vezes. As mulheres dão sinais, embelezam tudo o que dizem ou fazem, por vezes até demais.
E não há também homens cuja compreensão vai muito além da capacidade de qualquer mulher? E não há também mulheres que agem tal e qual como os homens?
Por exemplo, eu não percebo porque é que um homem cede sem pensar duas vezes a uma mulher que o seduza, que se lhe ofereça. Bom, isto posso até perceber. Mas, assim sendo, explicai-me vós, homens, o porquê de, quando procurais vós uma mulher, quereis que ela se retraia, que não se mostre interessada, que jogue convosco, que seja... 'difícil'. Afinal que quereis vós?
Era eu ainda pequena e a minha avó disse-me certo dia exactamente estas palavras: 'Laurinha, quando um rapazinho te pedir em namoro tu não aceites logo...dizes que tens de pensar.' E eu disse que sim, e digo. Não quer isto dizer que vós, homens, tendes de esperar eternidades por uma mulher (bem se vê hoje em dia que o oposto abunda), porém, deveis perceber que nós, mulheres, temos de fazer tudo com tempo... e vós gostais até de ficar naquele impasse. Saber esperar é uma virtude. E fazer-vos sofrer um pouquinho é um mimo, são...requintes! Considerem-no um pré-pagamento. As mulheres sabem que quem vai acabar por sofrer serão elas, assim ficam à partida com as contas certas.

Muito mais haveria para dizer, mas peço-vos que continuem vós...pois o que escrevi não me parece ter sentido. Tentei...

Ah! Apesar de tudo, deveis confessar, se assim não fossemos continuarieis a considerar-nos o belo e inenarrável ser que desta forma somos?
O mistério é atraente e a dificuldade de compreensão é chic!


Assim penso...e vós? *