domingo, abril 11, 2010
O cair da máscara..
domingo, abril 04, 2010
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
sábado, janeiro 09, 2010
sexta-feira, outubro 16, 2009
quinta-feira, abril 16, 2009
Negai essa vontade inata de olhar este canto.
Hesitações cobram instantes com juros altos
E nada há aqui que vos compense esse tanto.
Abutres.
Aqui não encontrareis angústia ou pranto.
Deixai-me.
O que aqui vedes nada mais é que vossa distorção.
Deduções, ilações,
Traços que são ilusões;
Pois estes nem esboços são
De algo que se nomeie 'emoção'.
Não.
Sois vós as vítimas de um desejo mórbido de desgraça alheia.
Pois não matareis aqui vossa sede.
Passai - nem olhai - que esta minha aparência
Conta apenas metade do que me mata a essência.
quinta-feira, março 12, 2009
Meu globo.
Nem é aquele vazio amigo, que tantas vezes me vem abraçar em horas estanques. A este novo companheiro não lhe conheço o nome, sei apenas que me acompanha, feliz, quando me deito por estas noites, e acorda colado a mim, como que não querendo que abandone o isolamento que permitem os lençóis. Mas eu saio e ele segue-me.
Nem é aquele nada que me preenche comummente. É um formigueiro em todo o corpo, um peso sem forma à conta do qual arrasto os pés e combato ferozmente a vontade das pálpebras de beijar o chão. E ainda assim não páro. Mas sou inerte.
Dou voltas e voltas neste meu globo, tantas quantas tenho que dar para cumprir exigências. Mas este globo é pequeno e depressa me confunde os sentidos - páro. E percebo que já estava parada, estática. Apesar de eu não conseguir quebrar o globo e sair, há quem consiga entrar. Este pó que penetra, contra as leis de qualquer física, estas paredes de vidro, vai-se concentrando e cada vez me deixa ver menos. Cada vez paro mais. Já mal consigo ver o corropio do grande globo, a vida do mundo, dos outros e quase já nem a consigo imaginar. Estou estanque, sozinha.
Falta-me sonho, chama, delírio, ilusão, qualquer ideia de loucos que agite esta bola de vidro e a quebre em estilhaços. Um devaneio que seja, uma infantilidade! Que rache estas paredes translúcidas, que eu logo respiro loucura, encho o peito, cresço e calo de vez estes risos que acusam quem só vê e não sente. Preciso daquele ponto brilhante lá à frente que me faça esbugalhar os olhos e esboçar um sorriso delirante.
Por estes dias, deambulo num globo que trouxeram como recordação de uma terra encantada qualquer, pousado na prateleira. E já quase não vejo, mas sei: o encanto ficou do lado de lá.
segunda-feira, março 02, 2009
Atentados à poesia I
Falta um deslumbramento,
Desde o primeiro momento,
Um acelerar de batimentos só porque vim.
Não anseio protagonismos.
Repudio egoísmos,
Abismos de corações que consomem,
Corropem a pureza de um ser
Com um simples querer como o meu.
Peço um qualquer encanto
Que me cesse este pranto
De ser a única em tanto,
Tanto tempo que jamais desarmou,
Sequer provocou
Um recuo - um pasmar,
A quem quer que seja que a fosse cruzar.
Não houve para mim um resto sequer dessa essência,
Caso sem precedência,
Para que a Divina Regência me nomeou.
E assim condenou a nunca roubar,
Se tanto, um olhar,
Nem mesmo cativar
A sombra que sou.
Deixo-me, então, resumir a pó...
A que nem pó de estrela se pode chamar.
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Mira ao espelho a pele que sente, sua. Dá-lhe tempo para que respire do sufoco de mais um dia. E logo os poros desta pele, tão perfeitamente impedida de sentir, destilam o medo que outra pele camuflou. Começa então um cortejo, cadência lenta e marcada, de suspiros, delírios, apertos no peito e o que mais se permitir. Gritos abafados de uma falta de sentir.
Já não serve, esta pele. Puxa de um lado, um rasgo no outro; um ardor na pele que sente e que não se deixa cobrir. Mas não pode sair assim, como esconder agora tamanha fragilidade... que cresce, cresce, só de pensar em passar sob o olhar de alguém com o medo denunciado em cada pedaço de si. Falta oxigénio a este ar, não chega todo aos pulmões - acelera coração - ai não, quieto. Bate só para que viva, não te rendas a emoções.
Dói quando sente. Dói quando se impede de sentir.
Hoje dói tão somente existir.
domingo, fevereiro 22, 2009
Dias eternos
Que remexe tralhas,
Rebusca em infernos,
Vividos, perdidos
Em estilhaços de instantes,
Contra um torpor desmedido,
Um corpo exangue.
Há momentos a fio
Que assemelham Eras
Em que não se encontra,
Só uma falta impera.
Não se encontra no espelho
Por mais que se procure.
É quando arde um vazio
De um nada, tão frio,
Que já quase se rende
Para que o mal não perdure.
Mas a dúvida prende,
Nada cala esta fome.
Mas que pedaço falta?
Que busca é esta, sem nome?
PS: Obriguei-me, literalmente, a escrever. Daí o resultado.
terça-feira, janeiro 27, 2009
Estado de sítio.

Tinha as coisas pensadas para, chegada a este ponto, fazer um balanço dos últimos meses. Um balanço positivo. Não o desminto, só o deixo por dizer, por enquanto.
É que não me sinto bem. Há aqui uma intempérie, um distúrbio qualquer dentro. Anda camuflado num irritante olhar embaciado, oco, sem fim e, por nada, extravaza numa estúpida e desnecessária mistura de irritação e nervosismo. E descontrolo.
Não sei o que é isto. Um culminar de pressões, uma fase mais emocional, desânimo de não ver esforços terem retorno... não me interessa, que suma! Ainda há pouco havia um encantozinho especial no dia-a-dia, parecia que em cada um fazia um bocadinho mais de descoberta deste mundo repleto de carácteres novos e agora ... não me apetece descobrir. Não havia em mim cansaço, não havia em mim falta ... nem há agora, simplesmente não há.
Poder-se-ia dizer que sequei, mas as janelas desta minha alma, atraiçoar-me-iam.
E como é que se muda um estado de que não se conhecem os traços?
sábado, outubro 18, 2008
Inércia.
A coisa complica-se é quando, por umas coisas não funcionarem, deixamos também nós de funcionar. Aumenta o desgaste e a fasquia de tensão que a matéria pode suportar, diminui. Atingiu-se o limiar... e agora é ver faíscas em direcções várias, porque o que é vivo mostra sempre o 'basta', possa ou não pronunciá-lo.
Queria contar-vos uma história, mas não sei como, porque tudo o que escrevo, apago. Mas factos, são factos e, sem escrita rebuscada, são os que se seguem.
Chamam-lhe de 'sistema' e eu acho que ele me apanhou. A mim e à minha mãe, claro, que vive tudo também, se possível com mais agonia.
Ora eu acho que o sistema, depois de tanta tentativa, tanta choradeira, tanto remorso, me anda a querer dizer 'tu vê lá o que fazes..' .
Há uma coisa que se chamam 'equivalências', que agora já não se chamam assim porque, gente, estamos em Bolonha. Chama-se então 'creditação' formação, ou coisa que o valha. E é essa bendita creditação é o que me permite frequentar o 2º ano de fisioterapia em Coimbra, e não repetir o 1º. Passa-se que Bolonha entrou este ano, tanto na escola do Porto como nesta, portanto, à partida, a escola do Porto ( ou V.N.G.? ai..) não pode creditar as disciplinas, porque o sistema não existia, e as disciplinas também já não são aquelas. Mas em Coimbra há boa vontade, dizem que se há-de arranjar. Não sei é quando, dado que a ESTSP se mudou no dia 13, primeiro dia de aulas, para Vila Nova de Gaia, pelo que anda tudo num caos.
Não vos apoquentai, bem sei que falta brilho nesta história. Aqui o tendes: dizem-me agora que, dado que estou matriculada no Porto porque os prazos assim o obrigavam (a menos que me quisesse arriscar a ficar, de todo, sem escola alguma), terei de pagar lá 50% da propina - ilucido-vos - 450€. Sendo que, se é necessário dizer, eu ainda não assentei pés na escola nova.
Mas, atentai, acrescentam boas notícias (!): não estou a ser prejudicada, respondem-me dos serviços académicos. Sabeis porquê? É que em Bolonha não há faltas ! Obviamente que vou saborear muito melhor esta 'boa vida' de agora em diante.
Era para estar contente, não era ? Mas é que me parece que há aqui qualquer coisa que não se compadece com grandes euforias... digo eu.
quinta-feira, outubro 02, 2008
(re)Voltar.
Um dia - ir e voltar. E matei saudades, acreditem; matei mais que isso, até.
Vi a mesma moldura de sempre, de longe, o Douro sob os pés, as caves de olhos postos nas minhas costas, a ribeira a brilhar. E podia ter-me ficado por aí, guardava aquele retrato, como que de turista, e seguia.
Não fiquei. Fui matar esperanças.
Assentei pés no Porto e dei os mesmos passos que dei todas as manhãs de todos os dias úteis (e outros) que ali passei num ano. Marquei as mesmas pedras dos mesmos passeios. Os mesmos números nos autocarros, as mesmas nuvens negras que tento impedir que me inundem as narinas e poluam os sentidos. E com cada passo pisei o espírito de angústia. Mais um passo; pesa. Outro agora; e aguenta. Está apertado aqui dentro, não sei que se passa. Medo. Dói-me lembrar o ficou por viver. Envolve-me uma ideia fria do que vou repetir; está marcado, não há volta a dar.
Não quero dizer, mas não quero ter força.
Eu sei. Não há-de ser nada, tudo corre pelo melhor. O Porto não é assim tão mau, tenho é de ver mais, procurar. É isso.
Não tenho recomeço. Perdi.
Dia 13 faço restart na programação automática.
A Laura há-de voltar pelo Natal.
PS: eu não queria escrever porque sabia que ia atirar pra este alvo. Vós pedistes, disparou.
sexta-feira, agosto 01, 2008
Tempestades.
a pensar no que o Tempo faz.
Como passa, porque pára,
como carrega o que traz.
E é Tempo que vem de encontro a mim,
e me carrega para diante,
Tempo veloz que me condena
num marca-passo lacerante.
Limita-me desejos, anseios,
cria em mim amarras ao mundo.
Um Tempo que é sempre de sobra
e rasga momentos ao segundo.
Tempo é o que me puxa,
me atira sem comiseração,
para um vácuo onde esse Tempo,
que todo o Tempo me marca,
deixa de ser Tempo algum,
passa a ser só solidão.
sexta-feira, julho 18, 2008
Sai de casa certa de que o que queres é o que vais ter, força tens tu de sobra.
Olha o céu e não o chão. Marca na calçada o passo certo da determinação que carregas. Não desvies olhares, sorri e sente o peito pleno com o sorriso que volta. Procura pormenores escondidos em coisas pequenas e simples. Aprende o que vale a pena.
Respeita-te. Declara-te tudo o que de bom tens à distância de um olhar alheio ou de uma vontade de mergulho mais fundo em ti. Descobre que é mais do que pensavas. Valoriza-te. Deixa ser o mundo a deitar-te abaixo e seres tu quem te faz erguer. Balança, tropeça, parte. E vê que só contigo consegues erguer a cabeça tão alto como dantes. Os outros só te conseguem mostrar metade do caminho.
Depois, dá. Testa, experimenta, com mistério, com algum pudor. Cativa. Vê quem se te prende e entrega-te. Não deixes por dizer. És mais, não tens o que perder.
Deita fora. Grita. Bate o pé. Chora. Luta e sente invadir-te uma força tão maior do que pensaste ter.
Concretiza. Orgulha-te. Partilha e delicia-te com isso.
Pensa e sente; afina esta díade.
Guarda e não esqueças. E sê inesquecível.
Não apagues, reescreve.
Põe o pé na estrada e desfruta cada passo, cada paragem, cada recuo nela.
Vive o que queres, vive o que podes, vive o muito e o pouco. Vive para alguém, de alguém, mas vive sempre por ti.
Vive por mim.
terça-feira, abril 08, 2008
Seja qual for a paisagem,
O ponto mais fundo que o olhar alcança,
Há sempre uma rocha,
Uma pedra, uma areia que dança.
Tenha-se uma obra qualquer,
Escultura, vitral ou tela,
Que há-de ter sempre nela,
Um traço mais feio,
Uma cor mais escura,
Dura e crua.
De entre quantas este mundo tem,
Haveis de encontrar sempre uma lágrima,
Ou um olho que a retém.
Alegria ou martírio que escondam,
Raiva ou loucura que expressem,
Não há quem,
Por pouco que viva,
Não lhe sinta o sal que tem.
Só por não saber ao que vem.
Que se soubesse, ora era doce,
Ora amarga de desdém.
Multidão num qualquer lugar,
Vede com atenção,
Que vos diz aquele olhar?
A pedra turva ou aguçada,
A cor escura que esconde a alma,
A lágrima a que só o amargo sente
Os olhos de quem está ausente,
Em certos dias são constante,
Noutros, sombra passante,
Mas sempre parte do que ela é.
terça-feira, abril 01, 2008
Quando o brilho me levaste,
Com o meu último fôlego,
Foi-se a força que criaste.
Acabaste.
E eu de olhos fechados,
Cerrados para não ver,
Que metade do meu viver,
Da história que queria escrever,
Eram rascunhos riscados,
Rasgados.
Vesti-me de cinzento,
Quando largámos as mãos.
Vesti-me da cor que não tem definição,
Sem ponta de agitação,
Com a calma de quem já esperava,
Que uma guerra longa e sofrida,
Mesmo quando vencida,
Já não deixa sentir nada.
Sem jeito. Mas já há muito, mesmo muito, que não me saiam sequer dois versos. Decidi pôr.
quinta-feira, março 06, 2008
Medo
É feita de camadas. E cada vez é preciso mais tempo, mais paciência, mais esforço para conseguir penetrá-la por inteiro e conhecer-lhe a verdadeira essência. Toda ela é defesa, zelo. Se pudesse, viveria numa redoma. Mentira. Se pudesse, arrancava-O, O que lhe levanta o peito, origem de um batuque que magoa quando segue descompassado, tanta é a pressa de bater. Não o parava, que ele não para mesmo querendo, embora por vezes pareça que sim. Mas ela sente-lhe a falta, do batuque certo. É música ao ouvido, parte daquilo que é. O batuque. O que quer é salvaguardar-se. É demasiado arritmado para continuar a aguentar.
Está farta de deixar entrar pessoas. Rompem-lhe as camadas, chegam à essência e fogem no momento em que ela se levanta para abrir a redoma, por fim. Mais uma camada. Cada vez é mais difícil lá chegar. Será que se assustam? Não interessa. Basta. Quem chegar, já nem a descobre. Pura, de branco, ondulando como se fizesse parte desse imenso verde-mar. Quer selá-lo de vez. Hermeticamente.
Mas até já dentro da redoma ele bate descompassado ! Quem ousa ? Para quê?
Não acredita que vai cair. 'Nunca mais.'
Ingénua. Hoje e sempre.
domingo, fevereiro 17, 2008
Farsas
Hoje acordei e soube que precisaria do dobro da força para me levantar. Que hoje o dia requeria coragem. Era preciso um sorriso. Então colei-me ao espelho e construi-o. Um sorriso e todo um teatro para que nada me saísse mal. Para que nao transparecesse o estremecimento, a tempestade e o dilúvio interior. Que hoje eu sabia decor o que me esperava. Tinha bem encenadas as máscaras para cada momento. Por cada sentimento, uma farsa. Insegurança, raiva, ciúme, desespero. Fui preparada. Tudo ensaiado e o sorriso pronto para mostrar logo que necessário.
Enganei-me, a princípio. Afinal a ameaça não era tanta. Afinal eu estava à altura do desafio. Afinal consegui rir-me com vontade. Tive-me como salva, pelo menos deste desafio. Gosto efémero.
Nao consigo. Sei o que valho, sei que sou mais. Mas nao sou eu que estou lá. Dói. Revolve-me as entranhas. E o pensamento, com previsões hipotéticas do que fez ou está para fazer.
Chorar? Nao consigo. Hoje nao. Acho que perdi a bomba do peito a caminho de casa e como doeu menos, pesou menos, nem dei conta. Vou ver se o encontro numa berma qualquer amanhã.
Quero um conto de fadas à minha porta. Depressa.
